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O Contributo da Supervisão Escolar na Melhoria de Qualidade do Processo Educativo Actual nas Escolas Primárias Públicas no Meio Rural. Estudo do caso da EP1/2 de Liche

  • lazarotiago74
  • 5 de jun.
  • 22 min de leitura

 Lázaro Ernesto Tiago[1]

                                                                                        lazarotiago74@gmail.com

 

Resumo

O nosso tema fala do contributo da supervisão escolar na melhoria do processo educativo nas escolas primárias no meio rural, caso de a EP1/2 de Liché, no Distrito de Nangade. O seu objetivo é compreender o contributo da supervisão na melhoria de desempenho do trabalho docente nas escolas primárias do meio rural. Este estudo recorreu-se a metodologia de pesquisa qualitativa cujos métodos de abordagem foram: estudo bibliográfico, documental e do campo. Os resultados da pesquisa revelaram que a supervisão escolar contribui para a melhoria da assiduidade de professores; o aprimoramento da planificação de aula; boa direção da escola; correção de certas anomalias do trabalho docente; melhoria do desempenho de professores e desenvolvimento do ensino. Por este propósito, a pesquisa concluiu que a supervisão escolar presta grande contributo na melhoria da qualidade de ensino nas escolas primárias rurais.

Palavras-chave: supervisão, processo educativo, escolas primárias.

 

Abstract

Our theme speaks about the contribution of school supervision in the improvement of the educational process in the primary schools in rural environment, the case of EP1/2 of Liche, in Nangade district. Its objective is to understand the contribution of supervision in the improvement of the performance of teaching work in primary schools in rural environment. This study was resorted to qualitative research methodology whose methods of approach were: bibliographic, documentary and field study. The results of the research showed that school supervision contributes to: improving the attendance of teachers; the lesson planning improvement; Good direction of the school; Correction of certain anomalies of the teaching work; Improving teacher performance and teaching development. For this purpose, the research concluded that school supervision contributes greatly to quality of education improvement in rural primary schools.

Key words: supervision, educational process, primary schools.

 

 

Resumen

Nuestro tema aborda la contribución de la supervisión escolar a la mejora del proceso educativo en escuelas primarias rurales, específicamente en la escuela EP1/2 de Liché, distrito de Nangade. Su objetivo es comprender la contribución de la supervisión a la mejora del desempeño docente en escuelas primarias rurales. Este estudio empleó una metodología de investigación cualitativa, con métodos bibliográficos, documentales y de campo.  Los resultados de la investigación revelaron que la supervisión escolar contribuye a: mejorar la asistencia docente; optimizar la planificación de las clases; una buena gestión escolar; corregir ciertas anomalías en la labor docente; mejorar el desempeño docente; y el desarrollo de la docencia. Por lo tanto, la investigación concluyó que la supervisión escolar contribuye significativamente a la mejora de la calidad de la enseñanza en escuelas primarias rurales.

 

Palabras clave: supervisión, proceso educativo, escuelas primarias.

 

 

 

1.    Introdução

A supervisão constitui na actualidade, um fenómeno socialmente mais difundido no mundo de trabalho de modo especial no sector de educação. É tratado com toda gentileza devido ao seu carácter que se confunde com a equipe de gestão máxima da educação. Nesta perspectiva, o nosso tema faz menção o contributo da supervisão escolar na melhoria do processo educativo nas escolas primárias no meio rural. Este estudo teve como epicentro, a escola primária de 1º e 2º Grau de Liché, no Distrito de Nangade, Cabo Delgado.

O trabalho foi concebido com objectivo de compreender o contributo da supervisão na melhoria de desempenho do trabalho docente nas escolas primárias do meio rural.

O contributo da supervisão consiste na promoção de ensino de qualidade através de assistência de corpo docente na escola. Neste sentido, na escola sempre se faz sentir a actividade supervisora, mas com a qualidade de ensino menos plausível aos olhos de pais e encarregados de educação daquela aldeia comunal.

Com a presença da equipa técnica da supervisão na escola, alguns professores simulam doenças, problemas familiares, viagens espontâneas e fuga para escaparem da actividade supervisora, abandonando os alunos nas salas de aula. Assim, a supervisão pedagógica, é entendida como algo que coloca em causa a profissão do professor e consequentemente afecta a qualidade do processo educativo nas escolas primárias no meio rural. Com estes factos, chegamos ao seguinte questionamento: de que forma a supervisão escolar contribui na melhoria de qualidade do processo educativo nas escolas primárias do meio rural?

 

2. Marco Teórico

  2.1. Supervisão Escolar: Origem e Conceitos 

 O conceito da supervisão é muito antigo e os estudiosos vão reinventando na medida que a sociedade se organiza e vai exigindo novas formas de ser, estar e trabalhar.

A supervisão surgiu na época da revolução industrial e tinha como objectivo melhorar a qualidade de produção na indústria e a sua função era coagir os trabalhadores a recarregarem as sinergias. O supervisor era conhecido por inspector e suas actividades consistiam em fiscalizar, inspeccionar e controlar a rotina de trabalhadores. Na área de educação, a supervisão como um instrumento técnico pedagógico exercia as funções similares do inspector industrial com características autoritárias e fiscalizadoras. O supervisor educacional velava pela pontualidade de professores e alunos, acima de tudo a disciplina e não se interessava pelo processo de ensino e aprendizagem (Kaló, 1980).

Costa (2006) refere que a moderna supervisão passou a ser entendida por um lado como norteadora do trabalho docente baseado no aprimoramento de ensino e aprendizagem e por outro lado como valorizadora do trabalho colectivo buscando o envolvimento de todos os que participam nos processos educativos na escola. Assim, a mudança de actuação de supervisor em relação aos processos escolares são impulsionados pela dinâmica da actual sociedade que se prende na capacitação do capital humano para se lidar com os desafios de nova forma de empregabilidade, isto é um homem competente e um emprego digno. Assim, é neste prisma que a Supervisão privilegia a emancipação da docência para continuar a promover uma aprendizagem que interessa os potenciais fornecedores de empregos e atrair os membros da comunidade a participar na construção da escola onde todos possam aprender com qualidade.

Com base desta nova forma de fazer supervisão na escola, Roriz (2016) apresenta um novo objectivo da supervisão que consiste em ensinar o professor a ensinar com vista a melhoria da aprendizagem de aluno na escola. Então, actuais teóricos da supervisão escolar não olham o professor como instrumento de trabalho, mas como construtor permanente do processo de ensino que promove o saber científico e tecnológico adequando-o com o desenvolvimento social de cada época que vivemos.

Silva (2013) faz um apelo importante ao supervisor escolar a não se deixar levar pelas influências impostas pelo sistema educativo como se fossem dogmas, pelo contrário, é necessário que a supervisão seja ultrapassada do discurso de qualidade utópica, trespassando do ideal para fazer acontecer na vida real.

Entretanto, precisamos de um supervisor profissional com nova forma de agir, pensar e executar a sua função de modo que promova um processo educativo mais íntegro que a comunidade escolar almeja.

O mundo hoje vive momentos de mudanças repentinas exigindo que a educação se reinvente também rapidamente para satisfazer os interesses da sociedade preocupada em seu desenvolvimento económico a partir de um capital humano formado e competente. Por isso, o supervisor neste momento deve servir-se de assessores para ajudar-lhe a conjugar estratégias pedagógicas mais consentâneas com a actualidade para o sucesso de educação.

Em relação a educação no meio rural, o professor vive um dilema, começando por inexistência de salas de aulas adequadas, insuficiência de meios didácticos apropriados a novas descobertas tecnológicas, problemas aliados ao programa de ensino que não se alia ao conteúdo local, a falta de actualização pedagógica e as constantes transferências do professor nas escolas (Lammer, 2005, p.76). Estes problemas representam um desafio para o supervisor impor-se a uma rapidez na reflexão sobre o ensino do meio rural que se pretende estar a promover a aprendizagem de qualidade.

Neste sentido, com esta realidade a que o ensino rural vive, permite que o supervisor proponha a permutação do professor que se apresente intelectualmente e profissionalmente incapaz ao actual ensino, por estar por muito tempo no campo sem contacto com os meios didácticos actualizados, que vá a uma reciclagem pedagógica. O supervisor agindo desta forma, estaria a resolver de imediato um dos problemas do processo educativo no meio rural.

Nesta perspectiva, Brito (2016) faz uma chamada de atenção ao supervisor escolar de actualidade de modo a ser uma pessoa que faz permanentemente leitura da totalidade da escola e lhe obriga a despir-se do autoritarismo que o caracterizava nas épocas passadas como inspector e fiscalizador do processo educativo. Então, o sorriso e a abertura do supervisor em relação a outros actores escolares, galvaniza o trabalho docente e abre-se espaço para inovação e criatividade como pressupostos importantes para a melhoria de ensino e aprendizagem.

2.2. As Funções da Supervisão Escolar

A supervisão escolar desempenha funções viradas a melhoria do ensino e aprendizagem na escola.

 Krug (2010), Greia (2013) e Roriz (2016) referem que o processo de supervisão das escolas tem a função de assessorar, acompanhar, orientar, monitorar e de analisar sistematicamente o processo educativo. Neste âmbito, o professor constitui o principal foco da supervisão, mas também, acaba influenciando a outros elementos como assistentes do corpo docente, por exemplo o supervisor, pai de aluno, director, a comunidade e os que concebem currículos de ensino.

Portanto, o comportamento colaborativo do supervisor é determinante para a melhoria de ensino e aprendizagem na actual educação.

Em Moçambique, a supervisão serve para ajudar as escolas a criar momentos de uma reflexão conjunta com objectivo de promover a troca de experiência entre educadores, rever anteriores programações e encontrar novas acções a desenvolver no processo de ensino-aprendizagem - PEA (Nivagara; Niquice; Sapane & Alípio, 2016). Desta forma, precisamos de inovar a vida da escola procurando adequar as condições de ensino e aprendizagem à nova realidade da vida escolar. O supervisor deve facilitar o PEA promovendo a colaboração, a inovação, criatividade e seja provocador do debate no contexto de processos pedagógicos da escola.

Cabe ao supervisor organizar o processo escolar, propor mudança curricular, consciencializar a comunidade, actualizar os pais e encarregados de educação sobre a mudança curricular, definir os critérios da resolução de problemas docentes, sugerir as bases do desenvolvimento institucional do sector de que faz parte.

De acordo com Nivaga; Niquice; sapane e Olímpio (2016) ressalvaram que as funções da supervisão pedagógica orientam-se para as seguintes finalidades:

·       Assessoria: assistir ao corpo docente, propor mudanças curriculares, criar harmonia no seio da comunidade escolar.

·       Colaboração: integrar o professor e a comunidade escolar na concepção do projecto escolar, definir as prioridades comuns de ensino e aprendizagem, consensualizar a prática pedagógica do professor.

·       Coordenação: consciencializar a comunidade escolar e os professores sobre mudanças curriculares, acompanhar o professor e a sua prática pedagógica;

·       Orientação: orientar para capacitação de curta e longa duração de professores; assistir o trabalho docente, rever anteriores programações; encontrar novas acções a desenvolver no PEA.

·       Prestação de ajuda: mostrar soluções sobre irregularidades e fraquezas do professor do PEA; definir os critérios de resolução de problemas de docente na escola.

2.3. Actividades realizadas no processo de supervisão na escola

A supervisão pedagógica desempenha um papel importante na construção do processo educativo mais digno e reflexivo na escola cujas tarefas estão ligas ao cumprimento de programas de ensino concebido pelos órgãos centrais de educação em colaboração com alguns grupos da sociedade.

As actividades desempenhadas pela supervisão escolar são sempre determinantes para o desenvolvimento do aluno, professor e a equipe que por ela é assessorada durante todo o processo de ensino e aprendizagem (Souza, 2011). Nesta perspectiva, no âmbito da melhoria do processo educativo devem ser realizadas pela supervisão seguintes actividades:

Velar o decurso de trabalho docente assistindo professor com vista a proporcionar-lhe o possível auxílio para o sucesso de aprendizagem do aluno; observar os planos de aulas do professor; acompanhar a realização dos planos curriculares na escola; promover debates com os professores para a troca de experiência de modo que as actividades pedagógicas sejam aperfeiçoadas; analisar o aproveitamento escolar de professor e aluno; avaliar o desempenho do corpo directivo, docente e da comunidade escolar; Criar harmonia no seio da comunidade escolar, etc.

Neste contexto, o desempenho do trabalho docente visando a melhoria do processo educativo, precisa de uma supervisão consciente imbuída de competências científicas e teórico-práticas de ensino que se alinhem com a pedagogia actual que incita a formação de um cidadão capaz de transformar o conhecimento em instrumento de construção do bem-estar social e económico. Assim, os novos desafios que hoje se coloca a educação aconselha-se que se ultrapasse a cultura de subordinação e se cultive uma cultura de autonomia de modo a dar maior poder ao professor e a se aprofundar os modos de desenvolvimento das práticas de ensino em que se incluem as metodologia activas e experimentais (Machado & Alves. 2016,p.6).

Nesta óptica, o supervisor sendo articulador na formação contínua dos docentes, precisa estar ciente das mudanças que se processam no mundo e na escola, para poder auxiliar com segurança os educadores no processo escolar. Assim, cabe ao supervisor actualizar-se sempre, lendo materiais inerentes as áreas educacionais, porque a sua antiga formação como professor não integrou todos os elementos necessários para a sua actuação na escola (Brito, 2016, p.19). A educação é um processo em contínua mudança, o supervisor constantemente deve actualizar-se para não distorcer o processo educativo.

2.4. Tipos de Supervisão no contexto moçambicano

Segundo Simbine (2009) entende que o processo de supervisão está dividido em duas partes tais como: interna e externa.

·       Supervisão interna da escola: é realizada pelo director da escola na qualidade de supervisor. Os supervisionados são todos os responsáveis dos sectores de trabalho, professores e trabalhadores em geral. Para o efeito, o director da escola elabora um programa de supervisão mencionando as actividades de acompanhamento e de apoio (Simbine 2009).

·       Supervisão externa da escola: é realizada pelos responsáveis e técnicos oriundos de outros lugares fora da escola, como por exemplo, o coordenador da ZIP, técnico pedagógico da REG nos SDEJT, dos DDP e da DNEG. Então, os supervisionados são a direcção da escola, professores e os demais trabalhadores das diversas instituições de ensino (Simbine 2009).

Neste contexto, a supervisão externa da escola tem responsabilidade de acompanhar e apoiar as instituições do ensino de modo a perceber as situações reais das escolas, professores e das suas direcções como a existência de professores sem formação psicopedagógica, directores sem formação em gestão escolar, de pessoal técnico sem formação específica da área que trabalha e de escolas sem condições para práticas lectivas sobretudo de escolas com salas de aulas sem o tecto (Simbine, 2009). A supervisão externa deve constituir-se de profissionais competentes e experientes.

2.5. O Contributo da Supervisão Escolar no Âmbito da Melhoria do Processo Educativo 

A supervisão escolar contribui grandemente para a melhoria do processo educativo. Brito (2016) considera o processo de supervisão escolar como principal orientador do desenvolvimento contínuo do professor e catalisador do desempenho escolar com vista a formação de um cidadão consciente, eficiente e responsável em função da sua realidade pessoal e social. Assim, a supervisão deve vincar a necessidade de prevenção de problemas através de capacitação do docente, promover a criatividade e valorizar todas as iniciativas pedagógicas do professor que tragam o sucesso no processo de ensino e aprendizagem (PEA).

Para alunos a supervisão contribui na criação condições de aprendizagem através de controlo, verificação e aperfeiçoamento dos planos de aulas preparadas pelo professor com vista atingir-se os objectivos escolares.

Aos pais e a comunidade, a supervisão ajuda a perceber o papel da educação na transformação do indivíduo para o seu desenvolvimento social.

 Entretanto, Nivagara et al. (2016,p.41) considera que a supervisão “ […] pode ajudar a criar, em nossas escolas, momentos de reflexão para que juntos, os educadores possam trocar experiências, rever o que foi feito e encontrar alternativas de acção”.

Neste sentido, a supervisão escolar contribui na concepção de projecto pedagógico que assegurem a evolução de ensino disponibilizando os meios de capacitação intelectual e profissional na área da docência. Contudo a supervisão escolar contribui na manutenção e inovação educativa.

Portanto, todos os autores acima citados abordam a supervisão como actividade muito importante no processo educativo, cujo contributo se insere na criação de condições orientadas para a melhoria de ensino e aprendizagem, ambiente educativo e relações interpessoais entre vários intervenientes da escola.

2.6. Supervisão no Processo de Ensino e Aprendizagem

Quando falamos do processo de ensino e aprendizagem, nos cingimos no trabalho do professor e do aluno, por ser estes maiores protagonistas do processo educativo, produtores de resultados que tem merecido análise de especialistas em educação e da sociedade e pouco fica implicada a supervisão escolar. A sociedade devia antes de tudo questionar o papel da supervisão na escola, perceber quem está liderando o ensino e como são resolvidas as situações de aprendizagem.

O dinamismo e o desempenho da escola depende da capacidade intelectiva, da manobra criativa, coordenativa, avaliativa e mobilizadora da supervisão em relação a comunidade escolar onde está incumbida para promover o desenvolvimento profissional dos professores e melhorar as condições de aprendizagem de aluno.

Formosinho (2002,p. 231-232) define como “objecto de supervisão a dinamização e o acompanhamento do desenvolvimento qualitativo da organização escolar e dos que nela realizam o seu trabalho de estudar, ensinar e apoiar a função educativa através de aprendizagens individuais e colectivas, incluindo a dos novos agentes”. Assim, o objecto da supervisão escolar, orienta-se para qualidade de processo de ensino e aprendizagem através de participação activa de professor, aluno, direcção da escola, pessoal técnico, pais de alunos e da sociedade.

Nesta perspectiva, o fracasso ou o sucesso do processo educativo é conjuntural e atribui-se a todas as sensibilidades sociais como pode ver:

·       O professor prepara, planifica e implementa o ensino proporcionando a aprendizagem ao aluno, mas o seu sucesso depende do apoio que deve vir da supervisão escolar como encontros regulares de capacitação, reuniões para debates dos programas de ensino e simulação da aula na presença do supervisor.

·       O pai deve colaborar com a escola encaminhando o seu filho na hora prevista pelo horário escolar de modo que a aprendizagem da criança não seja comprometida por falta de cumprimento do programa de ensino.

·       A sociedade deve apoiar a escola através da preservação das suas infra-estruturas de modo que o processo de ensino e aprendizagem não seja deflagrado por falta de carteiras, água e campo desportivo.

·       O supervisor seja proactivo no seu trabalho com o professor privilegiando a criatividade, a liberdade, o diálogo, carinho, a humildade, respeito e a inovação para que o ensino e aprendizagem sejam mais dinâmico e consentâneo aos novos fenómenos sociais, como por exemplo, novas formas de empregabilidade e empregos.

Então, o supervisor deve ter um olho atento aos problemas do professor, aluno e exigir que as autoridades escolares observem o respeito aos seus colaboradores no sentido de promover sinergias para a prossecução de objectivos educacionais.

2.7. Problemas das Escolas Primárias do Meio Rural

As escolas das zonas rurais são caracterizadas por infra-estruturas degradadas e quase inexistentes, escassez de professores, falta de orçamento para a manutenção de infraestruras existentes, diminuição de efectivos escolares por recusa dos pais e encarregados da educação não encaminharem os seus filhos à escola e as condições de trabalho pouco favoráveis tanto para o professor como para o aluno. Esta ideia aparece secundada por Almeida (2007) ao afirmar que a carência de materiais e de recursos didácticos constitui outra das realidades das escolas rurais, preenchendo um quadro negativo da profissão, com marcas irreparáveis na educação e no processo do desenvolvimento do mundo rural. Contudo, são factores importantes que influenciam negativamente no processo educativo no meio rural sobretudo nas escolas mais isoladas.

3. Metodologia e Procedimentos Usados na colecta e Tratamento de Dados 

3.1. Metodologia

Este estudo recorreu-se a metodologia de pesquisa qualitativa cujos métodos de abordagem foram: estudo bibliográfico, documental e do campo. De acordo com a natureza de pesquisa, foram usadas as seguintes técnicas: a) entrevista; b) observação e c)questionário. Na análise de dados de pesquisa, foram recorridos os critérios tanto de pesquisa qualitativa como de pesquisa quantitativa para permitir a interpretação de informação e percepções das pessoas abordadas pelo estudo.

Para se ter informação complementar a pesquisa foi necessário recorrer-se as técnicas e instrumentos que permitiram a recolha de informações e percepções que sustentaram a presente pesquisa tais como: a entrevista semiestruturada, a observação e o questionário.

Em relação ao estudo bibliográfico, a pesquisa recorreu a análise de várias teorias abordadas pelos diferentes autores que publicaram as suas ideias relacionadas com tema para compreendermos o contributo e actividades da supervisão escolar.

Para o estudo documental baseou-se na análise de relatórios, mapas dos efectivos de alunos e professores da escola e os documentos oficiais da vida da EP1/2 de Liché para explicar o estágio da supervisão no contexto actual do processo educativo.

No que diz respeito ao estudo do campo, a pesquisa preferiu fazer a observação de uma aula supervisionada pelo director da EP1/2 de Liché, entrevistou os professores e o director da EP1/2 de Liché e técnicos de educação do nível distrital e provincial para perceber-se o contributo da supervisão escolar no processo educativo actual.

3.2. Técnicas de Recolha de Dados

De acordo com a natureza de pesquisa, foram usadas as seguintes técnicas:

a)     Entrevista semiestruturada para os técnicos de Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Nangade, Director da EP1/2 de Liché e técnicos da Direcção Provincial da Educação e Desenvolvimento Humano de Cabo Delgado em Pemba.

b)     Observação de aula supervisionada pelo director da Escola Primária e Completa de Liché. Neste caso, a observação permitiu a pesquisa verificar se o director na sua assistência a aula do professor faz-se acompanhado de um documento para o registo do ambiente de sala de aula.

c)     Questionário foi aplicado aos professores da EP1/1 de Liché. Este questionário permitiu que o estudo colhesse as percepções de professores sobre o contributo de Supervisão escolar.

4. Apresentação e discussão de resultados preliminares

A apresentação e discussão de resultados de pesquisa foram feitas em torno de três categorias definidas de acordo com os objectivos da pesquisa e transformadas em questões de pesquisa. Mediante as categorias de pesquisa foram elaboradas as perguntas que foram respondidas por técnicos educacionais provincial e distrital e director da EP1/2 de Liché em entrevistas semiestruturada e professores responderam ao questionário. Todas as perguntas foram transformadas em subcategorias.

4.1. Apresentação de resultados

4.1.1. Tempo de trabalho como supervisor

A pesquisa entrevistou os técnicos de supervisão de SDEJT de Nangade concretamente, 2 professores formados pelo Instituto de Formação (IFP) com nível de 10ª classe + 3 anos, um professor licenciado em ensino de Geografia e um professor formado no instituto médio agrário 10ª classe + 3 anos de formação. Nesta perspectiva, apuramos que deste grupo de supervisores escolares 40% de técnicos tem 1 ano, 20% tem 2 ano, 20% também tem 4 ano e 20% correspondente a 1 técnico tem 13 anos de trabalho como supervisores escolares. Assim, olhando para formações específicas nem um deles se formou em supervisão escolar, somente usam conhecimentos adquiridos nas instituições de formação de professores para ajudar os colegas afectos em diferentes escolas primárias.

Em Moçambique não havendo instrumentos que normalize esta actividade supervisiva, admite-se que o supervisor tenha no mínimo uma formação profissional e cinco anos de experiência na docência (MINED, 2003, p.17). Então, a formação específica de supervisor não constitui requisito único para se integrar na equipa de supervisão escolar no nosso país.

Os supervisores da Direcção provincial de educação e desenvolvimento humano de Cabo Delgado que foram entrevistados disseram que um tem 6 anos e outro tem 15 anos de trabalho como supervisor escolar. Assim, estes técnicos gozam de uma experiência amadurecida trabalhando no processo de supervisão escolar. O director da EP1/2 de Liché disse que está a 7 anos dirigindo as escolas primárias e 11 anos de docência.

4.2.2.Perspectivas de Professores Supervisionados e Supervisores Escolares

O processo de Supervisão, pretende dar apoio pedagógico ao professor e através dele melhorar o processo de ensino e aprendizagem. Neste sentido os supervisores na EP1/2 de Liché esperam colher boas práticas docentes; uma troca de experiência de modo a melhorar os aspectos pedagógicos; colher uma experiência agradável sobre processo educativo; obter propostas úteis para mudança educacional; colher práticas negativas relacionadas ao ensino sobretudo a planificação e a leccionação; qualidade do PEA.

Em relação aos professores supervisionados questionados, 85,7% disseram que esperam da supervisão serem ajudados a identificar os seus erros ou pontos fracos e também sejam orientados para melhorar o seu desempenho profissional no contexto do processo educativo. O que significa que cada professor está ciente do papel que o supervisor escolar desempenha no contexto da docência, na consciencialização e mobilização do pessoal docente para o engrandecimento do processo educativo com vista a atingir as metas pedagógicas da escola. Por isso, 14,3% dos abordados foi possível vincar que a supervisão escolar veio para socorrer o ensino devido a sua vocação inclinada a melhoria da prática pedagógica dos professores e o sucesso na aprendizagem de alunos das instituições de ensino básico. 

4.2.3. Dificuldades enfrentadas pelos supervisores nas escolas do meio rural

As dificuldades dos técnicos são imensas tanto para técnicos DPEDH como para os técnicos de SDEJT de Nangade. Assim, os técnicos entrevistados disseram que o supervisor provincial tem enfrentado no seu dia-a-dia a insuficiência de meios e recursos materiais e financeiros para a efectivação do trabalho supervisivo nas escolas e resistência de professores no cumprimento das recomendações deixadas pela equipa de supervisão na escola.

Em relação aos técnicos do nível distrito de Nangade elencaram seguintes dificuldades no âmbito de supervisão escolar:

·       Insuficiência de meios de transporte e combustível para deslocações de Supervisão as escolas primárias distantes;

·       Falta da alimentação durante os dias estabelecidos pela supervisão;

·       Falta de resposta as reclamações colocadas pelos professores na sequência da visita de supervisão escolar por se considerar de problemas constantes relacionado de mau ambiente de trabalho docente apontando a falta de salas de aulas condignas, salas de aulas em baixo de árvores e falta de instalações administrativas.

·       Falta de ajuda de custo aos técnicos de Supervisão;

·       Abandono de professores na escola;

4.2.4. Importância da supervisão escolar

Os professores supervisionados estão cientes do papel que supervisão desempenha na melhoria do processo educativo. Por isso, 42,9% disseram que com a supervisão escolar esperam resolver as suas dificuldades relacionadas ao ensino, 57,1% receber nova orientação pedagógica e combater o mau relacionamento entre o professor e a direcção da escola. Este percepção de professores actuais é o resultado da supervisão que se mobiliza para manter o dinamismo pedagógico mais consentâneo a realidade educativa da escola.

4.4.5.Problemas das escolas do meio rural

Os técnicos da DPEDH de Cabo Delgado entrevistados disseram que no contacto com as escolas rurais têm encontrado enormes problemas tais como: a insuficiência do material e recursos do trabalho, os professores trabalham com pedaços de quadro preto, turmas numerosas, falta de dedicação de alunos, vastidão de programas de ensino e alunos sem desejo de praticar trabalho de casa. Então, estes constituem hoje, os principais desafios de professores do meio rural, que precisam de muita assistência e apoio técnico de todos níveis de supervisão escolar de modo que encontre manobras estratégicas alternativas para o sucesso de ensino e aprendizagem na escola.

 Os professores têm tido muito medo da supervisão de acordo com técnico provincial porque comparam a actual supervisão com a supervisão antiga dos tempos remotos. Ainda na mesma reflexão explicou que os professores supervisionados pensam que poderão sofrer por causa de erros que forem detectados ao longo do processo de supervisão.

Os próprios professores questionados na EP1/2 de Liché, 71,2% confirmaram existir salas de aulas no ar livre as crianças não ficam atentas a aula, más condições do trabalho docente, salas de aulas precárias, inexistência de carteiras e quadro preto inadequado para acolher uma aula digna e 28,8% dos entrevistados afirmaram que naquela escola ainda persiste a falta de capacitação pedagógica com vista a melhoria do desempenho profissional do professor. Assim, conclui-se que nos próximos planos do sector educativo sejam feitas a partir desta análise, observação e destes desafios com vista a melhoria do desempenho docente e da escola.

5. Discussão de resultados de pesquisa

Com a supervisão escolar pretende-se dar apoio pedagógico ao professor e através dele melhorar o processo de ensino e aprendizagem de modo que se possa colher boas práticas docentes, troca de experiência, aprimorar os aspectos pedagógicos, colher experiências educativas agradáveis, manter propostas úteis de mudança educacional e identificar lacunas lectivas com vista a sua solução. Assim, é desta forma que o Brito (2016) chama atenção ao supervisor escolar de actualidade de modo que esteja atento ao trabalho docente e da escola e lhe obriga a despir-se do autoritarismo que o caracterizava nas épocas passadas como inspector e fiscalizador do processo educativo.

É preciso que se crie condições dignas de trabalho docente e um ambiente que acomoda alunos como forma de valorizar o ensino e aprendizagem para o sucesso de objectivos da educação, caso isso não aconteça, precipitamos a um desastre no desenvolvimento humano. Actualmente assiste-se aos professores da EP1/2 de Liché a viverem num dilema profissional motivado por vários factores que retrocedem o desempenho do aluno e da escola. Entre estes factores se destacam salas de aulas no ar livre, a falta de capacitação pedagógica do professor e más condições do trabalho docente, salas de aulas precárias, inexistência de carteiras e quadro preto inadequado. 

Almeida (2007) explica que a carência de materiais e de recursos didácticos constitui outra das realidades das escolas rurais, preenchendo um quadro negativo da profissão, com marcas irreparáveis na educação e no processo do desenvolvimento do mundo rural. Estes factores influenciam negativamente no processo educativo no meio rural sobretudo nas escolas mais distantes dos principais decisores educacionais como serviço distrital de educação, juventude e tecnologia (SDEJT), direcção províncial de educação e desenvolvimento humano (DPEDH), direcção nacional de educação e desenvolvimento humano (DNEDH) e ministério de educação e desenvolvimento humano (MINEDH).

Segundo Formosinho (2002) assegura que a criação de ambiente de aprendizagem tecnologicamente rico, alargando as escolas para as comunidades e ênfase maior na colaboração pode conduzir o processo de ensino e aprendizagem significativo para supervisores, professores, e alunos. Significa que a supervisão é a unidade básica de ensino de qualidade.

Neste sentido, Alves (2013) entende que o professor na sala de aula busca reflexão sobre os efeitos da sua acção, desenvolve capacidades, conhecimentos e atitudes que não depende somente da assimilação do conhecimento científico, mas de outro conhecimento produzido em diálogo com a situação prática e real. Então, o trabalho colaborativo entre o supervisor e o professor no contexto escolar é importante para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem.

Os professores da EP1/2 de Liché gostariam que os supervisores fossem para escola assistir aula e observa-la humildemente, simular um plano de aula perante o professor e ensinar o professor para aprender a ensinar correctamente. Por isso, a supervisão serve para ajudar as escolas a criar momentos de uma reflexão conjunta em vista a troca de experiência entre educadores, rever anteriores programações e encontrar novas acções a desenvolver no PEA (Nivagara; Niquice; Sapane & Alípio, 2016). Sendo assim, a colaboração no processo educativo é crucial para encontrar consensos sobre novos caminhos ou métodos de ensino que se adeqúem com a realidade de cada escola de modo que se alcance a qualidade de ensino no País.

6. Considerações finais

A pesquisa que decorreu na EP1/2 de Liché no distrito de Nangade teve seguintes conclusões:

Os professores estão cientes do papel que a supervisão desempenha na promoção de assiduidade, no aperfeiçoamento de planificação da aula, da boa direcção da escola e na construção de um ambiente digno do trabalho docente.

Na EP1/2 de Liché, a supervisão é desenvolvida apenas pelas equipes do SDEJT, da ZIP e do director da escola. Os professores desta escola nunca foram visitados pelas equipes de supervisão provincial e nacional.

Professores pretendem também trabalhar com equipas de supervisão provincial e nacional para interagir directamente com a principal fonte de orientação, coordenação e de assistência pedagógica as escolas, que no âmbito de troca de experiência perceberem os reais problemas da escola e da docência.

Os supervisores escolares distritais e provinciais trabalham com a insuficiência de recursos financeiros e materiais para o exercício pleno de seu trabalho, razão pela qual tem marcado pouca presença nalgumas escolas do meio rural e fica na sua sede a espera de relatórios.

Ambiente de trabalho docente pouco agradável, devido a inexistência de salas de aulas adequadas para o desenvolvimento de ensino de qualidade desde 1975, ano de independência nacional, aulas de abaixo de árvores, uso de pedaço de quadro preto, falta de gabinete do director, falta de secretaria para serviços de apoio a escola, inexistência de carteiras e biblioteca escolar;

Há necessidade de formar e capacitar os supervisores sobretudo distritais para coordenar e orientar eficazmente colegas docentes na escola.

Atitude ou o perfil do supervisor é primordial para o processo de orientação e coordenação de actividades docentes na escola com vista a alcançar objectivos educativos.

Os técnicos de diferentes níveis de supervisão escolar pretendem que sejam criadas as condições logísticas sofisticadas financeiramente e materialmente para o exercício pleno da supervisão escolar tendo em visa ao alcance de objectivos de educação na escola.

Os professores planificam as lições de aulas e consideram importante para atingir objectivos da aula. As direcções das escolas trabalham em colaboração de professores para assegurar a qualidade de ensino e aprendizagem.

Não ficou comprovada a fuga de professores da EP1/2 de Liché da equipe da supervisão, mas os técnicos afirmaram que tem se deparado com esta situação nas outras escolas similares.

 

Referencias Bibliográficas

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[1]  Mestre em Administração e Gestão Educacional pela Universidade Católica de Moçambique, Faculdade de Gestão de Turismo e Informática em Pemba.

 
 
 

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